Africa Basquetebol

03 junho 2014

MOÇAMBIQUE : LIGA NACIONAL DE BASQUETEBOL: Confirmada hegemonia “locomotiva”

A SEXTA edição da Liga Nacional de Basquetebol não foi nada mais que a confirmação da hegemonia da família “locomotiva”, nomeadamente os Ferroviários da Beira e de Maputo, ao nível de seniores masculinos.
Não há sombras de dúvidas quanto ao excelente desempenho do Ferroviário da Beira, consubstanciado na revalidação do título no duelo diante do seu homónimo de Maputo na noite de domingo no Pavilhão do Maxaquene.
Os “locomotivas” beirenses venceram o “play-off” de desempate por 71-62. Isto porque prevalecia igualdade em virtude de os beirenses terem ganho o primeiro “play-off”, por 73-58, e sido derrotados no segundo, por 74-61.   
A verdade manda dizer que este campeonato trouxe à ribalta, para além da confirmação da superioridade dos ferroviários, a revelação de novos talentos e a promessa de um basquetebol cujo nível competitivo tende a subir. Há que acreditar no basquetebol sénior masculino e na construção de uma selecção que tenha os mesmos apoios que são alocados à selecção feminina, com a crença de que é possível lograr sucessos com os talentos que desfilaram no campeonato ora findo.
Esta nota de abertura foi feita propositadamente para dar eco ao que acabámos de acompanhar durante sensivelmente duas semanas de disputa da edição 2013/2014 da Liga Nacional de Basquetebol, conquistada merecidamente pelos “locomotivas” da Beira, que, por essa via, têm direito a participar na Liga dos Clubes Africanos.
Para lograr os seus objectivos, os beirenses tiveram que “recrutar” especificamente para esta prova dois norte-americanos, nomeadamente o poste Jeffrey Fahnbuller, destacado MVP do campeonato, e o base Kejuan Johnson, que deram mais-valia à equipa. O Ferroviário da Beira poderá contar com estas duas estrelas nas missões internacionais, devido a limitações no seu plantel.
FINAL DE GRANDES EMOÇÕES
A presença dos Ferroviários da Beira e de Maputo na final transportava por si grandes expectativas, em virtude das boas exibições demonstradas pelas duas equipas e o percurso retumbante destas desde a fase regular.
Porém, os “locomotivas” da capital tiveram maior evidência ao vencerem o confronto directo com o seu homónimo da Beira e pelo facto de não terem perdido nenhum jogo, dominando por completo a fase regular. Este feito conferiu-lhes o estatuto de principais candidatos ao título, o que ficou mais esclarecido com a sua transição para as meias-finais, com a vitória sobre o Costa do Sol – quarto apurado da fase regular -, por 81-72, enquanto o Ferroviário da Beira, que ficou em segundo lugar, eliminava o Desportivo – terceiro classificado, por 73-58.
Contudo, foi o Ferroviário da Beira a equipa mais equilibrada e eficaz em termos técnico-tácticos e ficou mais fortalecido pela forte capacidade colectiva aliada à qualidade individual, factos que determinaram a diferença na forma de estar dos beirenses. Octávio Magoliço, Armando Baptista e o “super”-talentoso Ismael Nurmamad, o mais novo do cinco-base, deram a lição de bem saber jogar e a presença dos norte-americanos foi algo acrescido à qualidade competitiva demonstrada na final, disputada a melhor de três “play-offs”.
Aliás, com limitações no plantel, o espanhol Luís Hernandez usou praticamente o mesmo cinco, que se diga em abono da verdade soube vencer a carga física e em certos casos alguns dos seus jogadores jogaram condicionados, casos do “capitão” Armando Baptista, lesionado no “play-off” decisivo.
O Ferroviário da capital do país, por seu turno, teve mérito pelo seu conjunto, mas pecou muito ao nível disciplinar, dada a uma certa desconcentração e nervosismo, quando se lhe impunha muita frieza perante um adversário física, técnica e tacticamente muito forte. E foi numa noite de pouca clarividência para o Ferroviário de Maputo, num jogo em que os beirenses souberam fechar os caminhos para a sua zona, com forte pressão sobre o adversário, quando este estivesse na posse da bola, o que culminou com falhas na prossecução do jogo dos “locomotivas” da capital. Nem os seus jogadores mais preponderantes, designadamente o capitão Custódio Muchate e Edson Monjane, souberam chamar a si a responsabilidade de puxar a equipa, num dia em que tanto os irmãos Ermelindo e Orlando Novela, bem como Luís Barros e Francisco Macaringue, jovens promessas dos “locomotivas” maputenses, tiveram a mesma inspiração que os notabilizou ao longo do campeonato.
O Ferroviário de Maputo perdia assim o cobiçado título depois do feito conseguido em 2011, portanto uma época antes dos “locomotivas” beirenses.
SALVADOR NHANTUMB