Africa Basquetebol

30 outubro 2007

TAÇA DOS CAMPEÕES DE ÁFRICA EM FEMININOS: Olé, olé, prodigiosa “águia”!


UM dia depois, a “Cidade das acácias”, à beira do seu 120º aniversário, ainda vive o efeito da euforia “alvi-negra”. As novas rainhas de África, já nessa prestigiante qualidade, passearam-se ontem pela capital, exibindo o galanteio de quem efectivamente conquistou com brio e galhardia a coroa de Sua Majestade. O povo, que já havia prestado o seu tributo e reconhecimento logo após a memorável final, ia desfrutando de uma ocasião singular para um “contacto directo” com as jogadoras que, domingo à noite, transformaram o pavilhão do Maxaquene no teatro da mãe de todas as batalhas, arrancando uma preciosa vitória perante as angolanas do 1º de Agosto, até então campeãs do continente.


A carreira do Desportivo na fase final da 13ª edição da Taça dos Campeões de África em Basquetebol de Seniores Femininos foi sendo feita pedra a pedra e de forma primorosa, por uma águia que em todos as circunstâncias soube estar e exibir plumas de pavão. Uma águia mordaz, consequente e crente nos seus objectivos, primeiro, provavelmente para ser uma das figurantes da competição, tendo em conta que todos os prognósticos e conjecturas apontavam, na “poule position”, 1º de Agosto e Ferroviário, e a seguir ISPU e First Bank; e depois, com o evoluir triunfal dos acontecimentos, a aposta verdadeira no “canecão”.

Quando o sorteio colocou a equipa de Nazir Salé no Grupo “A”, onde as “locomotivas” eram as cabeças-de-série, juntamente com ABC, da Costa do Marfim, Djoliba, do Mali, Dolphins, da Nigéria, e Arc-en-Ciel, da RD Congo, o seu horizonte limitava-se à luta com este grupo de visitantes pelo segundo posto, uma vez que a primazia era em absoluto conferida ao Ferroviário. E não sem razão: para além de, indubitavelmente, ser a melhor formação nacional e reunir no seu plantel valorosas atletas, levava como chamariz para a prova o facto de contar com reforços americanas, o planeta do básquete e por essa via susceptíveis de realmente fazerem a diferença.

O Desportivo, para além do triunvirato internacional constituído por Nádia Rodrigues, Anabela Cossa e Valerdina Manhonga, e agora Cátia Halar, verdadeiramente em crescendo, tinha na cartola Diara Dessai, de certo modo esquecida entre nós, e duas “ilustres desconhecidas” senegalesas, Salimata Diatta e Anita Sy, à partida incapazes de superar o duo “locomotiva” proveniente da “Terra do Tio Sam”. Por isso, todos os prognósticos e conjecturas apontavam claramente para um cenário em que as “alvi-negras” teriam que fazer pela vida, caso pretendessem uma qualificação tranquila para os quartos-de-final.

CHARME EM ACÇÃO

Calhou ao Desportivo a estreia diante do Dolphins. Estas nigerianas, contrariamente ao cotado First Bank, eram uma incógnita. Nazir Salé não quis ter contemplações. Mandou as suas atletas para uma actuação em grande, à medida da própria competição. As dificuldades foram imensas, mas cedo a equipa revelou sincronização nos movimentos, embora um tanto ou quanto trémula quando o adversário respondesse com vigor e se aproximasse do marcador. O trio de reforços (Diara, Salimata e Anita) entrou em cena com o charme do seu basquetebol e a partir daí começou-se a ver um time com uma estrutura competitiva acima daquilo que se esperava, com o triunfo (68-55) a cair com naturalidade.

Após ter descansado no segundo dia do campeonato, o Desportivo enfrentou as malianas do Djoliba, campeãs destronadas no ano transacto pelo 1º de Agosto. Quando se esperava que a turma moçambicana fosse obrigada a saltar grandes barreiras, o certo é que o pragmatismo das suas jogadoras veio ao de cima, construindo uma vitória (61-46) que não deixou dúvidas a ninguém, do ponto de vista da sua eficácia.

Mas foi a partir do duelo intramuros com o Ferroviário que toda a gente começou a acreditar que a águia podia realmente voar mais alto. Numa partida verdadeiramente desaconselhável a cardíacos e na qual as artistas das duas formações puseram em campo todo o seu saber basquetebolístico, as “alvi-negras” foram simplesmente irrepreensíveis. Pela primeira vez, Carlos Aik viu-se sem soluções para contrariar o ímpeto adversário, particularmente porque as suas melhores pedras, nomeadamente Janete Monteiro e Rute Muianga, foram inexistentes, por força da estratégia montada por Nazir Salé e que acabou resultando em pleno. A vitória foi por cinco pontos (57-52).

É verdade que no encontro seguinte a equipa não relaxou, no entanto, o que sucedeu perante o Arc-en-Ciel certamente que não estava nas previsões da já denominada equipa-sensação da prova. As congolesas, que nesse dia haviam efectuado um jogo no período da manhã, bateram-se com frontalidade, tendo chegado a pairar no ar o espectro de uma surpresa, mesmo se sabendo que dificilmente o primeiro lugar fugiria do Desportivo, após ultrapassar o Ferroviário. O sofrimento durou até ao suar da buzina, com três pontos (59-56) a serem efusivamente festejados. Já diante do ABC, as “alvi-negras” limitaram-se a cumprir o calendário, ganhando (43-37) como lhes competia.

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