Africa Basquetebol

09 novembro 2006

MOÇAMBIQUE : Nacional de Seniores Masculinos


Académica não se vai contentar com o pouco - convicção do técnico Miguel Guambe, para quem a sua formação atravessa um excelente momento de forma
À MEDIDA que nos aproximamos do momento da verdade, a adrenalina sobe. Sobe, sobe nos artistas, para quem em primeiro lugar recai a responsabilidade da conquista do "canecão"; nos treinadores, neste momento a ensaiar todo o tipo de tácticas e formas de desfeitear os adversários, que também têm os olhos postos no título; e sobe igualmente nos adeptos, principalmente nos fervorosos adeptos beirenses, que a partir deste sábado deleitar-se-ão com as emoções do Campeonato Nacional de Basquetebol de Seniores Masculinos. As atenções já começam a concentrar-se sobre o Chiveve, para onde aflui a nata da bola-ao-cesto moçambicana, em mais uma riquíssima oportunidade para demonstrar as suas qualidades, no epílogo de mais uma temporada que conheceu uma grande movimentação na modalidade.

Maputo, Quinta-Feira, 9 de Novembro de 2006:: Notícias
Do ponto de vista de organização, a Associação Provincial de Basquetebol de Sofala não cruza os braços. Diante de uma ocasião para trazer à tona a sua capacidade de levar a efeito competições de tão grande nível, a preocupação, neste momento, reside na necessidade de nada falhar quando chegar o momento de as luzes subirem à ribalta. É por essa razão que, por exemplo, o Pavilhão dos Desportos da Beira está sendo objecto de um grande aprimoramento, apresentando já uma cara nova, risonha e mais simpática com os visitantes que convergirão de diversos pontos do país. As formações locais, Ferroviário e Desportivo da Beira, que habitualmente tomam parte nos grandes fóruns nacionais, e até mesmo internacionais, se tivermos em linha de conta que os “locomotivas” já disputaram qualificações para a Taça dos Campeões de África e consequentemente ganho mais traquejo experiência por parte dos seus atletas, vão intensificando a sua preparação, convictas de não deixarem os seus créditos por mãos alheias, pois sabe-se perfeitamente que a maior falange de apoio recairá sobre elas. Na capital do país, onde residem os principais candidatos, designadamente o campeão Ferroviário, Maxaquene, campeão da cidade de Maputo, Costa do Sol e Académica, a expectativa no seio das equipas é muito grande, mas também um sentimento de enorme responsabilidade, porquanto, indubitavelmente, será deste quarteto que conheceremos o novo rei da bola-ao-cesto nacional. Em relação às outras províncias, "a priori" consideradas figurantes, dado o facto de o seu nível não se comparar com o dos times de Maputo e da Beira, a esperança dos jogadores vai principalmente para tentar ganhar algo do ponto de vista competitivo, pedra de toque para a melhoria das suas qualidades. Neste grupo teremos a Pastelaria Universal, de Inhambane, Sports Club de Chimoio, de Manica, Académica do Songo, de Tete, ISPU de Quelimane, da Zambézia, Sporting, de Nampula, e FC Lichinga, do Niassa.
ATACAR O TÍTULO

Maputo, Quinta-Feira, 9 de Novembro de 2006:: Notícias
A qualificação da Académica para este "Nacional" aconteceu praticamente fora do tempo. Foi a derradeira equipa da cidade de Maputo, ao ocupar a quarta posição, lugar conseguido precisamente na última jornada, mercê da sua espectacular vitória sobre o Desportivo, que, numa temporada a todos os títulos irreconhecível, ficou riscado da agenda. Miguel Guambe, técnico dos "estudantes", não acha que tal tenha sido obra divina, mas consequência lógica da subida em flecha que a turma registou, fruto da persistente crença, humildade e modéstia que caracterizaram os jogadores. E agora na Beira, quais são as perspectivas? "Atacar o título!" - responde peremptoriamente o "mister", pois, sustenta, estando já no teatro das operações, "não vamos nos contentar com o pouco, isto é, meias-finais ou outros lugares do pódio. Queremos, isso sim, o primeiro lugar. Os outros lugares, que não sejam o de campeão, podem acontecer, é verdade, contudo, não constituem o nosso objectivo primordial" - vinca. Apesar desta forte convicção, que afirma dominar todo o seu grupo de trabalho, Miguel Guambe reconhece que a Académica não esteve bem nalgum momento do Campeonato da Cidade, mas neste momento isso pertence ao passado. Justifica esta asserção não somente pelo facto de ter conseguido o apuramento para Beira mas também por aquilo que fizeram nos últimos jogos da prova maputense, assim como em certos treinos, o que lhe permite concluir que estão perfeitamente ao nível dos outros candidatos ao título. "Se tiver reparado, todos os nossos resultados, na primeira e segunda voltas, à excepção do Ferroviário, foram equilibrados. Bastante equilibrados. Estivemos a ganhar durante os primeiros três períodos, porém, no último, incompreensivelmente, baqueávamos. Felizmente, na última volta, já estivemos ao nosso nível e o desfecho mais eloquente é esta qualificação para o 'Nacional', que veio demonstrar a vitalidade da Académica, depois da saída de algumas unidades nucleares, casos de Sete Muianga e de Castelo, sobre quem, essencialmente, assentava a nossa estratégia de jogo" - explicou o técnico "estudantil". Segundo ele, esta terá sido a razão principal para a demora no reencontro do time, pois praticamente teve que constituir um novo esquadrão, ensaiar novas estratégias e conceitos, até se conseguir o equilíbrio no seio do próprio grupo e consequentemente a perfeição, que Miguel Guambe acha neste momento estar assegurada, assim como o objectivo de disputar a prova máxima do basquetebol moçambicano