Africa Basquetebol

27 junho 2010

ANGOLA : O basquetebol angolano e as dificuldades

Noves fora o facto de nos últimos dias terem aumentado as opiniões de “experts”, alguns quais de reconhecida capacidade teórica e prática em Angola e no exterior, segundo as quais o nível da qualidade técnica do basquetebol angolano ao nível de séniores masculinos, conhece um decréscimo, cujas proporções tendem a aumentar, é certo que se esperam mais dificuldades em relação as edições precedentes, da Selecção Nacional, que de 28 de Agosto à 12 de Setembro próximos, vai tomar parte no Mundial, na Turquia.

Este clima de suspeição, segundo os seus autores, decorre do facto que a contratação de treinadores portugueses, por três das principais equipas angolanas, designadamente, o 1º de Agosto, Petro de Luanda e Interclube de Angola, está a fazer com que o modelo de jogo que sempre pautou o basquetebol angolano e que influenciou de forma abismal na conquista dos 10 (dez) títulos continentais e outros “brilharetes” em várias competições extra África, está a ser invertido.

Argumentam que o facto de tais treinadores utilizarem preferencialmente o sistema ofensivo em detrimento dos esquemas defensivos, está na origem de tal decréscimo. os ganhos do basquetebol angolano (masculino e feminino) em África e noutras latitudes aconteceram em função dos técnicos nacionais terem priorizado os esquemas defensivos estruturalmente bem arquitectados, não deixando de lado, como é lógico, o ataque.

Realisticamente, é de convir que o que atrás está descrito, encontra substância no facto de no último Campeonato Africano de seniores, que teve como palco, a República Islâmica da Líbia, em 2009, onde Angola conquistou o seu 10º (décimo) título, as selecções adversárias a quem os angolanos em competições precedentes, derrotavam por diferenças abismais, diminuíssem tais resultados.

Para além dos oponentes directos habituais, designadamente, as representações da Nigéria e do Senegal, outras selecções, até então “ sem expressão “, fruto da evolução qualitativa que observam, apresentaram algumas dificuldades antecipadamente não previstas aos angolanos, casos da Argélia, Cabo - Verde e da Líbia, conforme espelham os resultados dos jogos do último “Africano” que decorreu na pátria de Kadafhi.

Não nos compete questionar e nem tecer algum pronunciamento sobre as opções de Luís Magalhães, que merece “carta-branca” dos membros da Federação Angolana da modalidade, para comandar a selecção angolana que no palco da maior tribuna mundial do basquetebol masculino, para além dos angolanos, vai representar o continente africano.

A pergunta que não quer calar está ligada as motivações que estiveram na base de Luís Magalhães ter “transportado” para a equipa técnica da Selecção Nacional, como seus coadjutores, os jovens Paulo Macedo e Walter Costa, antigos internacionais pelo 1º de Agosto, que há pouco menos de (6) seis 7 (sete) anos deixaram, cada um a seu tempo, o pleno com atletas.

Questionam, de forma lógica, se Paulo Macedo e Walter Costa, possuem o nível de formação em treinamento desportivo, capacidade e estaleca para pertencerem aos quadros técnicos de uma estrutura, como a Selecção Nacional, que, entre outros detém 9 (nove) títulos de campeã africana, quando o mosaico basquetebolístico nacional é fértil em técnicos de maior capacidade profissional, já demonstradas e reconhecidas quer no âmbito interno como no exterior.

É justo e imperioso que as pessoas comecem a interiorizar que a Selecção Nacional de Angola, em qualquer modalidade que seja, constitui um projecto onde todos os angolanos se devem rever, independentemente das suas opções políticas, religiosas, etnia, cor da pele ou emblema clubista. A Selecção Nacional de Angola é muito mais do que um clube. É uma agremiação de âmbito nacional.

Leonel Libório
http://jornaldosdesportos.sapo.ao