Africa Basquetebol

04 fevereiro 2011

MOÇAMBIQUE : NACIONAL DE FEMININOS: No Dia dos Heróis, ode às heroínas “alvi-negras”!


NO dia em que o país homenageou e exaltou os feitos dos seus heróis, no basquetebol, no epílogo do Campeonato Nacional de Seniores Femininos, as heroínas foram inequivocamente as “alvi-negras”, magníficas vencedoras de uma prova em que o seu domínio foi claro e indiscutível. Na grande final de ontem, frente ao rival Ferroviário, o Desportivo ganhou pela marca de 67-43.Maputo, Sexta-Feira, 4 de Fevereiro de 2011:: Notícias
A festa do título “alvi-negro” – o terceiro consecutivo e sob a batuta de Nazir Salé - já decorria de forma rija nas bancadas, porém, dois factos marcaram-nos sobremaneira: o primeiro, logo a seguir ao suar da buzina, o tributo prestado de forma emocionante às atletas pelos adeptos, com cânticos que seguramente lhes tocaram no fundo do coração, tal era a beleza da sua mensagem.

O segundo, autenticamente “sui generis” e ovacionado pelo público, em pé, foi protagonizado por Leia Dongue, a Tanucha, para nós a MVP do campeonato, quando foi carregar o seu treinador, feito um bebé, e levou-o para o centro do terreno, fechando o ciclo com dois beijos, para depois todas as jogadoras levarem Nazir Salé aos ombros, na habitual festa da conquista de um título.

Bonito! Bonito mesmo! Foi uma festa merecida e contagiante, regada com o tradicional champanhe, mas também com as lágrimas das inconsoláveis jogadoras do Ferroviário, que, nas quatro linhas, sem margem para discussão, não tiveram argumentos para contrapor ao excelente jogo apresentado pelas adversárias.

Aliás, tal como foi sempre patenteado ao longo do campeonato, a diferença entre o Desportivo e as restantes equipas tem a ver com a atitude perante o trabalho diário e que se reflecte, naturalmente, no terreno do jogo. Ontem, por exemplo, a despeito de se tratar de uma final entre as melhores formações do país, as “alvi-negras” humilharam sem dó nem piedade as “locomotivas”.

Foram 24 pontos de diferença que não somente fazem fé à supremacia das “águias” como também à sua excelente capacidade de controlar os acontecimentos, impor o ritmo de jogo a seu bel-prazer e até se dar ao luxo de oferecer oportunidade às debutantes para também escreverem o seu nome na consagração. Foi, de facto, extremamente humilhante para o Ferroviário.

É verdade que na bola-ao-cesto não há resultados exactamente concluídos antes do fim da contenda, no entanto, quando, decorridos apenas cinco minutos e o Desportivo vencia por 15-1, o público se apercebeu que o tal equilíbrio que se vaticinava dificilmente iria acontecer.

Comandadas por Valerdina Manhonga – sem qualquer resposta à altura por parte das bases do Ferroviário, as “alvi-negras” partiram à busca de um resultado que efectivamente reflectisse a sua superioridade. E aí veio ao de cima a classe de Anabela Cossa, aliada à determinação e valentia da Tanucha – a chamada LeBron -, assim como ao cerrar de dentes de todas as outras componentes do time.
A espaços, as “locomotivas” reagiam. Deolinda Gimo procurava impor o seu virtuosismo, Zinóbia Machanguana puxava da sua inquestionável experiência, mas debalde. Tanucha desfazia tudo com os seus desequilíbrios, principalmente nos ressaltos, onde as postes do Ferroviário só viam navios a passar.
Armando Meque, era difícil. Completamente difícil desfeitear a forte estrutura competitiva imposta por Nazir Salé. E o resultado espelha isso: 67-43, depois dos parciais 26-8, 41-22 e 52-35.

Entretanto, A Politécnica classificou-se na terceira posição, mercê do triunfo sobre Maxaquene, por 44-38.

Alexandre Zandamela